sexta-feira, 6 de maio de 2016

Tons da Globalização



Não entendo seus ideais
Por que faz questão das coisas claras?
Olho claro, céus claro, cabelo claro, pele clara,
Quem dita esse conceito?
Ninguém vê que pode ter bem mais?
Não me convence esse sujeito.

Gosto do meu chá, preto
Do meu açúcar, mascavo
do meu arroz, integral
Do dia, cinza e chuvoso
Dos olhos, cor de jambo
Onde mergulho sem medo
Dos cabelos feito breu
onde encontro carinho
onde deixo o meu.
Do cheiro amadeirado
da pele negra, parda, avermelhada
Por que não?
Essa diversidade
Nessa cidade
onde tudo se esconde
Pela super-exposição.

Todo o contágio
no ritmo da melancolia e da rotina
Te impedem de olhar pela janela
e desatina.

Olhe pro lado
Olhe nos olhos
Olhe na alma
Olhe pra dentro de si mesmo
Tenha calma
Nem tudo é como eles dizem
Esses padrões que nos reprimem
Que colocam nas pessoas a lente do preconceito
Dizem "nada contra, eu respeito"
Mentem
Fazem da opinião verdade absoluta
Mas nesta questão estou resoluta.

No que eu puder
Em meu papel de mulher
Falarei alto
Falarei rude
Até que alguém perceba
Até que alguém escute
Pois se eu abrir os olhos de uma só pessoa
Já terá valido a pena.

E isso é tudo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário