Eu acordo num dia como este e me pergunto se é justo...
Se é justo tanta felicidade dentro de mim, enquanto outros padecem na amargura.
As vezes me pergunto se não estão certos, os que ardem em despeito, inveja, melancolia, loucura e desespero... Me pergunto se aqueles que me veem pelas costas ou que se inervam com minha alegria não são, na verdade, agentes da justiça, zelando pelo equilíbrio cósmico emocional do nosso universo.
Pois pense, se com tantos empecilhos, traidores e mal amados, sugadores de energia a minha volta eu estou exultantemente sorrindo neste nível, imagine se nada houvesse! Imagine se eu fosse realmente livre pra curtir minha felicidade sem ferir ninguém. Não seria justo!! Não seria justo com tanta gente sofrendo todos os dias, espancados, abandonados, famintos, doentes, desabrigados, abusados por familiares, extorquidos por charlatões, pessoas sem perspectiva positiva, pessoas que dependem de um milagre.
Talvez este pouco que felicidade que os “agentes” me tomam, seja dado a eles... Talvez este sorriso que me é tirado vez por outra, ou aquele sentimento gostoso de estar em paz, seja convertido a algum deles, em algum lugar, de alguma forma... Talvez este seja o refrigério, aquele sopro leve que mantem a fagulha, que mantem a chama de seus corações acesa, pra ter força de lutar mais um dia.
Pensando assim, não me importo de me tomarem um pouco de alegria, felicidade e realização... Isso não me afeta mais, não me irrita mais. Pois tenho recebido em abundancia, não são algumas gotas caídas pelo caminho que vão me fazer olhar pra trás.
Este é o meu conselho pra você se cansou de aprendizes de dementadores. Levante os olhos, veja onde está, lembre-se de onde estava e visualize onde estará. Siga seu caminho aproveitando o que a vida lhe dá, e deixe suas migalhas, sem pesar, aos pobres miseráveis que vem atrás. Eles precisam desesperadamente do que não vai lhe fazer falta.
