terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
Eram dois corpos
O Sol da tarde entrando pela janela ofuscavas sua visão.
Em sua mente ainda repassava cada palavra que fora dita na noite anterior. Foram mesmo todas essas palavras?
Talvez devesse ter dito mais ou talvez fosse melhor se calar mas àquela altura já não fazia diferença.
Forçou-se a levantar da cama e tirar o pijama.
No ar o aroma suave de frutas, pão doce, talvez panquecas... Já era tarde mas quem se impota?
Chinelo nos pés, água fria na nuca - não tão fria quanto o "olá" que recebeu ao descer as escadas.
Queria se desculpar, queria dizer que sentia muito por todo o ocorrido mas as palavras simplesmente empacavam na garganta.
Não é culpa de ninguém. De ninguém! - repetia internamente mas no fundo sabia que boa parte da culpa lhe pertencia.
E assim se seguiu... O silêncio tomou conta de suas almas ao longo de todo o dia. O domingo de verão mais gelado que já existiu
E resistiu ou será que desistiu?
Do outro lado uma alma machucada e o sentimento de ter pouco valor.
Passaram-se dias, e a pesar das palavras trocadas os corações permaneciam vazios.
Não falaram mais sobre aquela noite que insistia em atormentar seus espíritos.
Se ao menos me pedisse desculpas, se ao menos dissesse que sente muito, talvez tudo poderia ser diferente...
Mas não foi
Eu poderia dar o primeiro passo mas nada disso foi culpa minha, então apenas espero... Mas cheguei no limite.
Não havia como mudar depois de tomada a decisão, não tinha mais como suportar.
Mesmo assim, ao chegar em casa lhe deu um beijo na testa, arrumou suas malas, deixou um bilhete ao lado da cama onde tanto se amaram em algum lugar do passado e partiu.
Quem ficou, chorou. Já esperava, mas doeu. Leu o bilhete e se arrependeu mas já era tarde quando finalmente percebeu que o orgulho os fizera perder o que de mais precioso haviam construído.
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