sexta-feira, 6 de maio de 2016

Tons da Globalização



Não entendo seus ideais
Por que faz questão das coisas claras?
Olho claro, céus claro, cabelo claro, pele clara,
Quem dita esse conceito?
Ninguém vê que pode ter bem mais?
Não me convence esse sujeito.

Gosto do meu chá, preto
Do meu açúcar, mascavo
do meu arroz, integral
Do dia, cinza e chuvoso
Dos olhos, cor de jambo
Onde mergulho sem medo
Dos cabelos feito breu
onde encontro carinho
onde deixo o meu.
Do cheiro amadeirado
da pele negra, parda, avermelhada
Por que não?
Essa diversidade
Nessa cidade
onde tudo se esconde
Pela super-exposição.

Todo o contágio
no ritmo da melancolia e da rotina
Te impedem de olhar pela janela
e desatina.

Olhe pro lado
Olhe nos olhos
Olhe na alma
Olhe pra dentro de si mesmo
Tenha calma
Nem tudo é como eles dizem
Esses padrões que nos reprimem
Que colocam nas pessoas a lente do preconceito
Dizem "nada contra, eu respeito"
Mentem
Fazem da opinião verdade absoluta
Mas nesta questão estou resoluta.

No que eu puder
Em meu papel de mulher
Falarei alto
Falarei rude
Até que alguém perceba
Até que alguém escute
Pois se eu abrir os olhos de uma só pessoa
Já terá valido a pena.

E isso é tudo!

Identidade



Me vejo em cores
Mas há tempos que querem preto no branco
Sem margem para ponderações.
Enquanto muitos lutam para se libertar
dos rótulos que desde criança nos ensinam.
Seja homem!
Ai que mulherzinha!
Seja mais mulher, mais feminina!
Que serviço de preto!
Isso é música de viado!
Você precisa emagrecer!
Larga de ser emo!
Isso é só uma fase!
E se não for?

E se a garota quiser ser uma mulher masculina?
E se o rapaz quiser se cobrir de tatuagens?
E se ela gostar de gordinhos?
E se o amor for demais pra uma pessoa só?
E se a solidão for maior que a multidão?
E se você pudesse ser você?
Sem rótulos, sem julgamentos.
Sem pessoas pra te dizer como viver sua vida
Não seria demais?

As leis estão aí pra caracterizar os crimes!
Fora disso, liberte-se de suas correntes
Mesmo que ela esteja presa a quem você mais ama
Nada vale mais a pena do que a paz interior
Ser feliz consigo mesmo
E se amar de todos os ângulos,
Se reconhecer ao olhar no espelho.
Ser autêntico, profundo e visceralmente VOCÊ!

...[eu te desafio!]

segunda-feira, 21 de março de 2016

U E H



De que adianta a vontade?
De que adianta o sentimento?
Amor...
Paixão...
Química...
Tudo uma grande besteira!
Só o q podem fazer é adiar o fim inevitável
Desconvencer da verdade inabalável
Inegável...
Incontrolável...
Então eu desisto
Isso mesmo, desisto!
Simples assim
Desisto de toda a dor que isso vai me causar
Desisto das noites em claro que vou passar
Desisto do coração machucado que vou encontrar
No lugar do sonhador que costumava pulsar
Bater...
Gritar...
Esperniar e fazer birra pra ter o que quer
Até ele já percebeu que o preço é alto demais
E no fim talvez essas coisas sejam normais
Mas sinceramente eu não aguento mais
Esperar uma atitude diferente
Esperar um futuro pra a gente
Esperar que você siga em frente
E que tenha sucesso em tudo que tente.

Não me entenda mal
Mas minha história é mais tensa que o normal
Ela me calejou...
Me sujou...
Me mudou...
Não sou mais aquela garota que sonhava
Não tenho mais as idéias que ostentava
E todo mundo q eu amava
Como fumaça...
Se foram.

Me desculpe se eu acho que mereço mais que um oi e uma boa conversa:
Alguém que faça, decida, que saiba o que quer
Alguém que aconselhe, que me faça mais mulher.
Me desculpe se acho que você merece mais que apenas companhia:
Uma companheira de casa, de rua e de briga
Companheira de jogo e de mente vazia.
No final sobram os cacos, colados tortos e todos errados
E um sentimento de que tudo teria sido diferente
Mas é assim q enganamos a nós mesmos.
Nada poderia ter sido diferente!
Aconteceu exatamente da única maneira que poderia acontecer.
E nada vai mudar isso.

Apenas aceite

Tudo na vida tem um fim
E o nosso foi antes mesmo de começar
Melhor assim
Continuo tentando acreditar
Mesmo que no fundo eu saiba
Que não vou deixar de te amar
Te querer...
Te Desejar...
Não por enquanto.

Mas deixe estar
O tempo vai curar
Ha Ha Ha será?
Já não há mais o que falar
Deixo-me em meu silêncio
Pra mente tentar se calmar
Pros sentimentos pararem de brigar
Pra eu saber que na vdd nda disso aconteceu
Na verdade quem imaginou fui eu
Perdida no futuro que poderíamos ter
"Olá, muito prazer em te conhecer"
Um aperto de mãos
E sei que estou destinada a sofrer
Olhando mos seus olhos eu ja posso até ver
E vejo
Um lampejo
Um vilarejo
Eu
E toda a simplicidade da minha complexidade

Apenas eu

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Eram dois corpos



O Sol da tarde entrando pela janela ofuscavas sua visão.
Em sua mente ainda repassava cada palavra que fora dita na noite anterior. Foram mesmo todas essas palavras?
Talvez devesse ter dito mais ou talvez fosse melhor se calar mas àquela altura já não fazia diferença.
Forçou-se a levantar da cama e tirar o pijama.
No ar o aroma suave de frutas, pão doce, talvez panquecas... Já era tarde mas quem se impota?

Chinelo nos pés, água fria na nuca - não tão fria quanto o "olá" que recebeu ao descer as escadas.
Queria se desculpar, queria dizer que sentia muito por todo o ocorrido mas as palavras simplesmente empacavam na garganta.
Não é culpa de ninguém. De ninguém! - repetia internamente mas no fundo sabia que boa parte da culpa lhe pertencia.
E assim se seguiu... O silêncio tomou conta de suas almas ao longo de todo o dia. O domingo de verão mais gelado que já existiu
E resistiu ou será que desistiu?
Do outro lado uma alma machucada e o sentimento de ter pouco valor.

Passaram-se dias, e a pesar das palavras trocadas os corações permaneciam vazios.
Não falaram mais sobre aquela noite que insistia em atormentar seus espíritos.
Se ao menos me pedisse desculpas, se ao menos dissesse que sente muito, talvez tudo poderia ser diferente...
Mas não foi
Eu poderia dar o primeiro passo mas nada disso foi culpa minha, então apenas espero... Mas cheguei no limite.


Não havia como mudar depois de tomada a decisão, não tinha mais como suportar.
Mesmo assim, ao chegar em casa lhe deu um beijo na testa, arrumou suas malas, deixou um bilhete ao lado da cama onde tanto se amaram em algum lugar do passado e partiu.
Quem ficou, chorou. Já esperava, mas doeu. Leu o bilhete e se arrependeu mas já era tarde quando finalmente percebeu que o orgulho os fizera perder o que de mais precioso haviam construído.